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PAC ajudará Acre nos negócios florestais

PAC ajudará Acre nos negócios florestais07/02/2007

Gilberto Siqueira, secretário de Planejamento do Acre

Foto: Amac

 

 

Juracy Xangai (*)

Anunciado há pouco mais de duas semanas pelo presidente Lula, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que propõe a realização de investimentos da ordem de R$ 600 bilhões com ações nas áreas produtiva e social, já causa polêmica entre alguns governadores. Mas em que esse projeto beneficiará o Acre e sua gente?

Mais de um bilhão de reais serão investidos no Estado. Mas o secretário Estadual de Planejamento, Gilberto Siqueira, faz questão de lembrar que esse é um recurso orçamentário, ou seja, está reservado, mas sua liberação depende da realização de bons projetos e da força política para liberá-lo e trazê-lo para as contas do Estado, o qual, de sua parte, contratará empresas que, além de competentes, ainda precisarão contar com a boa vontade do clima para dar conta dos serviços no tempo previsto.

“A boa notícia é que temos a promessa de recursos para investimentos num volume que o Acre nunca viu antes. Porém, mais que comemorar, é preciso entender que ainda vamos precisar suar bastante para fazer esse dinheiro chegar aqui e com ele realizar as obras com que sonha o povo Acre”, diz o secretário. “Sonhos como, por exemplo, a conclusão da BR-364 até Cruzeiro do Sul, que queremos concluir até 2010, até porque o dinheiro todo está prometido. Mas isso não depende só da nossa boa vontade, precisamos ter bons projetos e rezar para que Brasília não prenda o dinheiro do orçamento, que as empresas trabalhem direito e o clima ajude. Quanto a este último, o clima, é o que menos me preocupa, pois, se Deus é brasileiro, já demonstrou muitas vezes que gosta do Acre”, brinca Siqueira.

Florestania em evolução

Todo e qualquer projeto de desenvolvimento para o Acre tem de levar em conta o fato de que a floresta é a vocação econômica e sustentação social do Estado. E isso está baseado na proposta de que o manejo florestal sustentável seja o grande fornecedor da matéria-prima que irá alimentar a indústria e comércio regional.

Os carros-chefes dessa proposta, por enquanto, continuam sendo a madeira, castanha e borracha, como produtos tradicionais, mas a partir de agora outras matérias-primas como fibras, essências e até medicamentos naturais tomarão novo impulso de exploração.

“Temos a marca Amazônia, que depois da coca-cola é a mais conhecida no mundo inteiro, mas não temos ainda produtos amazônicos prontos e acabados para vender nas condições mínimas exigidas pelo mercado, ou seja, na quantidade, regularidade e padrão de qualidade garantidos. Produzir e conquistar espaço nesse mercado que está à nossa espera é o grande desafio”, afirmou Gilberto. “Cabe ao poder público - e nós estamos fazendo isso - criar uma infra-estrutura e condições favoráveis para o surgimento e o desenvolvimento de negócios, mas cabe aos empresários ter uma visão maior sobre tudo que está acontecendo, aproveitar oportunidades e investir. Até porque não pode haver desenvolvimento econômico puxado exclusivamente pelo Estado.”

Prevista para maio próximo, a inauguração da fábrica de preservativos masculinos, em Xapuri, com a presença do presidente Lula, ela será apenas mais um dos vários investimentos que já remontam mais de R$ 90 milhões no eixo da BR-317, bem entendida como caminho da Estada para o Pacífico.

Entre as obras se destacam a Fábrica de Tacos e Deck´s, ainda em Xapuri, o abatedouro de aves em Brasiléia e a parceria com o Grupo Farias na reativação da usina da Álcool Verde em Capixaba. Antes já haviam sido construídas e postas em funcionamento as fábricas de castanha de Brasiléia e Xapuri.

O pacote do PAC

A importância do PAC para a retomada do crescimento do Brasil está fundamentada num ponto simples e que até agora não vem sendo destacado como deveria, conforme esclarece Gilberto. “O PAC não surgiu de repente na idéia luminosa de alguém, mas da experiência de quem já governou quatro anos e constatou a necessidade de acelerar o crescimento econômico do país a partir da organização de uma série de planos de desenvolvimento que já existiam. Isto quer dizer que são planos realizáveis, já sonhados pelos governos e população dos Estados, mas que não tiveram a oportunidade de ser materializados para gerar o impacto de desenvolvimento, com inclusão social, que queremos para o Brasil”, disse.

Uma das preocupações particulares de Gilberto é sobre a capacidade que o próprio país terá de viabilizar, na prática, a aplicação do maior volume de recursos já investidos no país em tão curto espaço de tempo - quatro anos.

“Todos nós ajudamos a elaborar o PAC e apresentarmos ao governo federal projetos importantes para o desenvolvimento de nosso Estado, como o da conclusão da BR-364, a necessidade de construir moradias e sistemas de saneamento, investimentos no setor produtivo, além de dar continuidade ao programa Luz para Todos”, esclarece.

Para a conclusão da BR-364 foram reservados R$ 640 milhões, o que inclui recursos necessários para a construção da ponte sobre o rio Juruá que dará acesso da BR à cidade de Cruzeiro do Sul. Outros R$ 250 milhões estão prometidos no PAC para dar continuidade ao programa Luz para Todos. “Até 2010 vamos iluminar a vida de todas as pessoas do Acre, desde os projetos de colonização até os povoados e colocações mais isoladas. Onde não der para levar as redes, vamos chegar com sistemas alternativos e inovadores que vão surpreender muita gente.”

Já nas áreas da habitação e saneamento, os recursos estão disponíveis na Caixa Econômica Federal (CEF) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esses recursos esperam apenas a realização de bons projetos, articulação política e agilidade da bancada federal trabalhando em parceria com o governo do Estado para que sejam liberados e assim possam transformar-se em obras de fato.

Novos planos

A proposta de aceleração do crescimento econômico do país, focando especialmente, na inclusão social, vem de encontro ao que está sendo planejado pelo governador Binho Marques que acaba de completar seu primeiro mês à frente do Estado e que promete anunciar em março o plano de ações que serão realizadas durante seu governo que tem como eixos principais a educação, saúde e o setor produtivo.

“Ao longo dos últimos oito anos nós investimos pesado na realização de grandes obras que criaram a estrutura fundamental para o desenvolvimento do Acre. Agora é hora de fazer uma grande parceria com as prefeitura e o setor privado para promovermos o desenvolvimento econômico com inclusão social. Ou seja, vamos estimular o micro e pequeno produtor rural e urbano a acreditarem mais e investirem em suas idéias para criar negócios que vão ajudar a criar empregos e impulsionar o desenvolvimento do Acre”.

Esse estímulo não estará restrito aos micro e pequenos negócios, que receberão uma atenção muito especial, mas também aos negócios de médio e grande porte para que abram os olhos e aproveitem as inúmeras oportunidades de investimentos que estão surgindo em torno da ativação de empresas como a Álcool Verde, Fábrica de Tacos e diversas outras surgidas a partir da iniciativa pública ou provada. “Durante a inauguração da fábrica de preservativos, em Xapuri, vamos aproveitar para apresentar ao presidente Lula novos projetos de apoio ao setor produtivo. Mas queremos e precisamos que o setor privado acreano comece a usufruir desse ambiente favorável que estamos criando, ou outros vão fazer isso. O governo Binho Marques está pronto para apoiar as iniciativas dos micro, pequenos, médios e grandes investidores que nos apresentarem projetos realistas que interessem ao desenvolvimento do Estado”.

Segundo ele, já se nota uma mudança na tendência dos investimentos acreanos, inclusive no setor público. “Hoje temos vários prefeitos pedindo informação e apoio para elaborar projetos que visem estimular o setor produtivo em seus municípios. O governo vai priorizar todas as propostas realistas que promovam inclusão social no desenvolvimento produtivo. Ou seja, crie espaços para a participação de pequenos produtores rurais ou urbanos para que de maneira organizada participem e sejam beneficiados pelos investimentos”.

Assim vem aparecendo projetos para atender produtores rurais através de sistemas que beneficiem e agreguem valor à sua produção, como também para a criação de distritos industriais que beneficiem a matéria-prima local gerando emprego, renda e desenvolvimento sustentável com justiça social.

Estudar é preciso

A promessa de recursos anima governo e investidores, mas Gilberto lembra que tão importante quanto as obras é preparar a população para que usufrua e seja beneficiada por tudo o que já foi construído nestes oito anos e que ainda será nos próximos quanto. “A educação é fundamental em tudo o que estamos fazendo, por isso é que estamos nos esforçando tanto na criação de escolas e cursos técnicos para qualificar nossa mão de obra para que ela possa ser incluída num mercado de trabalho cada vez mais competitiva. E ainda mais que isso, precisamos imprimir um espírito mais empreendedor nos nossos jovens, encorajando-os a investir em suas idéias criando seus próprios negócios para que o Estado e as pessoas cresçam juntos, ou seja, queremos que até 2.010 o Acre seja o melhor lugar para se viver na Amazônia e só vamos conseguir isso num desenvolvimento com justiça social”.

Técnicos do governo estão percorrendo o Estado no trabalho de elaborar um diagnóstico dos déficits habitacional e de saneamento, além de sugestões de solução que subsidiarão, ainda neste mês de fevereiro, a elaboração de projetos para essa área.

 

(*) Matéria publicada na edição de 07/02/2007 do jornal Página 20, de Rio Branco (AC).




    


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