Aquecimento terá impacto devastador
23/11/2009
Toda a beleza da Amazônia corre risco com o aquecimento global
Foto: Divulgação
Kaxiana (*)
Secas radicais como a de 2005, alteração no nível de chuvas e impactos negativos nas economias até dos estados do Sul podem ser causados pelo colapso climático que o aquecimento global pode causar à Amazônia nas próximas décadas. Esse é o resultado do nada otimista estudo que a organização não-governamental WWF, com atuação no Brasil, acaba de apresentar lá fora sobre a região amazônica para uma empresa de seguros alemã.
Segundo publicou o jornal O Globo e agências internacionais, a Amazônia corre o risco de entrar em colapso climático devido ao aquecimento global e, com isso, impactar economicamente estados como Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O alerta do WWF (World Wildlife Found) se baseou no estudo "Pontos de colapso no sistema climático terrestre e suas conseqüências para o setor de seguros", encomendado pela seguradora alemã Allianz SE.
Apresentado em Berlim, na Alemanha, o estudo também assinala que outro impacto no Brasil seria o aumento da frequência de secas drásticas na região amazônica, como a de 2005, que prejudicou a navegação, gerou graves problemas de abastecimento de água na região, além de matança de peixes.
O estudo analisou, ainda, diferentes cenários de aumento de temperatura para chegar às suas conclusões e apontou as regiões e os ecossistemas mais diversos do planeta que correm riscos de atingir um ponto de colapso que desencadeia consequências ambientais, sociais e econômicas devastadoras.
Segundo o estudo, de acordo com o Globo, um possível aumento do nível do mar decorrente do derretimento das massas de gelo da Groenlândia e do Escudo de Gelo Antártico Oeste em meio metro até 2050 pode levar a um prejuízo de US$ 28 trilhões nas cidades costeiras do mundo todo. “São mais de cem cidades ameaçadas de inundação. O aumento do nível dos oceanos também afetaria a Costa Leste dos EUA e transformaria a Califórnia numa região de clima árido”, assinala o noticiário.
O estado do WWF calcula que, caso a elevação da temperatura média do planeta seja de 1 grau Celsius, em relação aos níveis de pré-industriais, a floresta amazônica pode perder cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados de sua cobertura, uma área equivalente a quase um terço de sua imensa floresta ou a 10 estados florestais como o Acre.
Impactos serão muitos
A secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, disse ao jornal carioca que são muitos os impactos das mudanças climáticas se for ultrapassado o patamar de 2 graus Celsius. “Atingir o ponto de colapso significa perdas inestimáveis e definitivas”, assinala Hamú, para acrescentar, a seguir: “Esse relatório nos alerta, mais uma vez, para a necessidade de assinarmos um acordo global de clima justo, eficiente e ambicioso em Copenhague em dezembro deste ano”.
De acordo com a publicação, para evitar a ameaça, só se ocorressem cortes radicais nas emissões de carbono antes de 2015. Mas, segundo a organização mundial de meteorologia da ONU (WMO, na sigla em inglês), as concentrações de gases do efeito estufa, a maior causa do aquecimento global, estão no maior nível já registrado e seguem em alta.
“Se a temperatura aumentar entre 0,5 e 2 graus até 2050, é possível que o nível dos mares aumente em meio metro”, explicou a responsável pelo departamento Clima e Energia da WWF Suíça, Ulrike Saul. “O valor atual da infraestrutura das cidades expostas ao risco é de US$ 3 trilhões. A temperatura do mundo já subiu pelo menos 0,7 graus Celsius e, segundo a pesquisa do WWF, um aumento de 2 a 3 graus Celsius na segunda metade do século 21 pode ocorrer”, assinalou O Globo.
O chefe da agência WMO, Michel Jarraud, destacou, por sua vez, que a tendência pode estar empurrando o mundo rumo às avaliações mais pessimistas sobre o aumento das temperaturas, esperado nas próximas décadas, e disse que enfatiza a necessidade de ação urgente.
(*) Com informações de O Globo.
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