Traficantes vendem cocaína pela Amazônia
11/11/2009
Anavilhanas, no interior do Amazonas
Foto: Divulgação
Kaxiana
Se há pressa na redução das desigualdades regionais do Brasil, na Amazônia, onde a pobreza e a miséria aniquilam as pessoas e ameaçam a integridade da floresta, a revisão do desenvolvimento nacional precisa ter um olhar diferenciado urgente para os estados que estão tendo o seu tecido social apodrecido rapidamente pelo crescimento acelerado do tráfico e uso de drogas, sobretudo da cocaína.
Essa dramática situação ocorre atualmente nos estados que fazem fronteira com a Bolívia, o Peru e a Colômbia, considerados hoje os maiores fornecedores da cocaína, uma droga que há muitos anos ou até décadas vem entrando pelo Brasil para abastecer tanto o seu mercado interno quanto os mercados consumidores do mundo inteiro.
Para adentrar as fáceis fronteiras abertas dos estados fronteiriços da Amazônia, o tráfico internacional de cocaína tem contado intensamente com a ajuda das populações tradicionais, das todas as vias de escoamento possíveis e de toda a infra-estrutura de transporte disponível na selva da região para adentrarem no país com a cocaína vinda dos três países vizinhos.
Uma das situações mais críticas do tráfico de drogas - que é um dos maiores, senão o maior, problema atual da Amazônia, segundo alguns especialistas - vem ocorrendo atualmente no Acre, onde o delegado Silvano Rabelo, da Polícia Civil do Acre, falando à imprensa local, acaba de dar uma idéia clara da gravidade do problema no estado.
Segundo o delegado, o tráfico de drogas está intenso no Acre “pelo simples motivo” do estado fazer fronteira com os dois países (Bolívia e Peru) considerados os maiores produtores de drogas do mundo. “Temos uma malha viária imensa e quase sem nenhuma fiscalização. Eu poderia dizer sem medo de errar que a fiscalização não coíbe nem um terço de toda droga que entra pelo Acre”, assinalou o delegado.
Falando à imprensa acreana há alguns meses, o deputado estadual Walter Prado, ex-chefe de Polícia do governo Jorge Viana, calculou que, sem medo de erra, no mínimo, 10 mil famílias dependem hoje do tráfico de drogas no estado para sobreviverem. Por se tratar de famílias, esse contingente sobe, então, para perto de 50 mil pessoas.
O mais alarmante das informações do delegado Silvano Rabelo vem de sua estupefação quanto à invasão que o tráfico de cocaína promove hoje, segundo ele, na floresta e por todos os lugares do estado. “O tráfico de drogas efetivo não passa apenas pelas rodovias estaduais e federais. Mas sim por rotas alternativas. A droga entra no Acre por ramais, estradas de barro, trilhas de caçadores, por igarapés, rios, corredores de catadores de castanha, as estradas de seringas e também pela mata fechada”, sentenciou o delegado a um site local.
De acordo, ainda, com o delegado Silvano Rabelo, atualmente, os traficantes estão tão sofisticados que chegam a usar GPS para se localizar no meio da floresta a fim de trazerem a droga ao seu destino final sem ser importunados pelas barreiras da Polícia. Para combater o problema, o delegado prega uma maior fiscalização no combate ao tráfico nos estados fronteiriços e o endurecimento da legislação brasileira sobre esse tipo de crime, que envolve idosos, adultos, jovens e até crianças.
O delegado da Polícia acreana não disse, mas a mesma situação de invasão do tráfico de cocaína na Amazônia vem se dando no vizinho estado do Amazonas, onde em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, é muito fácil comprar um pacote de 10 quilos de cocaína por R$ 10 mil para transformar rapidamente “o investimento” em R$ 100 mil, vendendo-a a granel para consumidores das classes média e alta de Brasília, do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
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