Governo enrola sobre meta para Copenhague
03/11/2009
Por enquanto, só há redução para desmatamentos
Foto: Divulgação
Kaxiana
Enquanto nada faz no Congresso para impedir a iminente mudança do Código Florestal pela bancada ruralista, que quer até o perdão pelas derrubadas da floresta amazônica, o governo brasileiro adia a definição de metas concretas que o Brasil tem de apresentar sobre a redução de emissões de gases poluentes na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, prevista para ocorrer no início de dezembro próximo em Copenhague, na Dinamarca.
Sem posição, o governo apenas discutiu nesta terça-feira, 03/11, os quatro temas nos quais centrará sua proposta para a conferência. Mas adiou a definição das metas para uma nova reunião, marcada para o dia 14 deste mês.
Segundo publicou a mídia nacional, os ministros decidiram concentrar os esforços do Brasil em deter o desmatamento da Amazônia e de outros ecossistemas e em reduzir a geração de gases nas áreas de siderurgia, energia e agropecuária, segundo anunciou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista coletiva posterior ao encontro liderado pelo presidente Lula.
"O Brasil está disposto ao maior esforço possível para que a reunião de Copenhague seja bem sucedida", afirmou a ministra Dilma Rousseff, para quem a única proposta concreta já decidida é a redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, embora haja a expectativa de estender as metas de controle das taxas de destruição para outros ecossistemas, como a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado.
Pelos cálculos do governo, a diminuição do desmatamento na Amazônia, principal fonte de emissões poluentes no Brasil, significaria deixar de lançar na atmosfera 580 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) por ano. As metas para os outros três setores ainda não foram definidas e pode ser que não haja um dado concreto, mas “linhas gerais” que não impeçam o desenvolvimento econômico do país.
Por sua vez, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que foram apresentadas situações que levaram em conta cenários de crescimento econômico de 5% e 6% ao ano. A proposta mais ambiciosa foi a apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente, que propõe uma redução de 40% das emissões em um cenário de crescimento da economia de 4%.
Segundo o ministro Carlos Minc, a contribuição da agricultura será "fundamental" com ações de manejo sustentável e recuperação de áreas degradadas. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou que parte das ações de mitigação das emissões vai depender de financiamento internacional, especialmente no que diz respeito ao controle do desmatamento.
Ainda segundo o ministro Celso Amorim, o Banco Mundial calculou que os países em desenvolvimento precisarão de US$ 400 bilhões anuais para fazer frente à mudança climática e, até agora, apenas a União Europeia (UE) ofereceu uma contribuição de US$ 140 bilhões.
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