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Desmate ainda é a principal causa do efeito estufa

Desmate ainda é a principal causa do efeito estufa26/10/2009

Desmates respondem pela maioria das emissões de gases de efeito estufa do Brasil

Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

Kaxiana (*)

 

         Com 51,9% de contribuição, o desmatamento da Amazônia continua sendo a principal causa das emissões de gases de efeito estufa no país. Ou seja, além de causar prejuízos de toda ordem às riquezas naturais existentes na grande floresta, a sua devastação ainda é a principal razão da colaboração que o Brasil dá em termos de emissões de gases que causam o efeito estufa e o conseqüente aumento da temperatura do planeta.

         Os dados constam de uma estimativa feita por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), ao calcularam que as emissões de gases do efeito estufa no Brasil aumentaram 24,6% entre 1990 e 2005. Segundo publicou o jornal Folha de São Paulo, o trabalho dos cientistas da USP, liderado por Carlos Cerri, sai às vésperas de o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgar suas próprias estimativas. Segundo a Folha, os dois estudos preenchem um vácuo de informação deixado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que produz os dados oficiais, e deve divulgar o próximo inventário só no ano que vem.

O trabalho da USP também mostra que o perfil brasileiro de emissões de gases de efeito estuga está mudando. Isto porque os gases-estufa do desmatamento cresceram 8,1% entre 1994 e 2005, taxa menor que a de outros tipos de fonte. Emissões vindas de energia, agropecuária, indústria e lixo tiveram, juntas, aumento médio de 41%. Mesmo com essa diferença, porém, o desmate continua sendo o principal emissor, representando 51,9% do total.

Descontando a perda de floresta, o estudo da USP permite comparar o Brasil a outros países. O crescimento de 41% foi menor que o de muitos países ricos que deveriam estar cortando emissões em vez de aumentar, conforme prevê o Protocolo de Kyoto. Gigantes pobres como China e Índia também tiveram aumentos maiores (89% e 62%, respectivamente). As emissões de não-desmate do Brasil, porém, subiram mais que a média mundial de 28,1% - puxadas por uma matriz energética mais suja e pelos transportes.

Segundo a Folha, os cálculos de Cerri e seus colegas saem em um artigo na edição desta semana da revista "Scientia Agricola". O trabalho, que levou cerca de um ano, é basicamente a compilação de dados de outros levantamentos já publicados, incluindo o inventário oficial de 1994. Cada fonte de dados teve de receber tratamento estatístico adequado para ser unida às outras.

 

 

(*) Com informações da Folha de São Paulo


    


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