Estados discutem a qualidade do ar
19/10/2009
Além de queimadas, fábricas também já poluem na Amazônia
Foto: Divulgação
Kaxiana (*)
A poluição do ar das cidades amazônicas já preocupam sobremaneira as autoridades federais, principalmente as da área da saúde. A preocupação vem com a continuidade nas queimadas da floresta, que durante quatro meses já ameaçam seriamente a saúde de suas populações.
A questão foi discutida durante a primeira reunião de trabalho da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar, ocorrida em Porto Velho (RO), onde representantes das áreas de meio ambiente e saúde dos estados do Acre, Mato Grosso e Rondônia, além de assessores do Ministério do Meio Ambiente (MMA) levantaram informações sobre as emissões de poluentes nos três estados.
A reunião teve por objetivo levantar informações e formatar um documento que contemple a realidade amazônica, para contribuição ao Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar (Pronar). A reunião se deu pela necessidade dos três estados discutirem o monitoramento do ar, principalmente devido às queimadas, que ocorrem anualmente, entre os meses de julho e outubro, arriscando a saúde da população e o meio ambiente.
O técnico do MMA, Rudolf de Noronha, assinalou que “a poluição das queimadas não é relacionada imediatamente com a saúde humana pela população, por isso, muitos não se dão conta do mal que o ato de atear fogo pode fazer a si mesmo”.
Segundo Noronha, o Pronar teve, por enquanto, mais contribuições dos estados do Sul e Sudeste e agora a proposta é contemplar a região Norte, que se difere pela natureza das emissões de poluentes e pela escala do território afetado.
Inventário das emissões
Para Luciana Teles, analista do Sipam, a longo prazo, o ideal seria estabelecer um grupo de pesquisa que levantasse dados em campo, identificasse as fontes de emissões e discutisse os resultados, visando as ações de redução.
“Será necessário realizar um inventário de emissões para detectar de onde vêm os poluentes já que além das queimadas, há ainda poluição de carvoarias, lagos de hidrelétricas, madeireiras e serrarias, entre outros”, assinala a analista Luciana Teles.
Atualmente, os estados mantêm ações isoladas em relação à qualidade do ar. No Acre, foi instalada uma estação para medição de material particulado e ozônio pela Fundação Oswaldo Cruz e o monitoramento da saúde se faz no Hospital de Urgência de Rio Branco.
O site Rondônia Dinâmica, em Rondônia, o Hospital Cosme e Damião monitora o aumento dos índices de doenças respiratórias em crianças durante o período das queimadas e uma estação está sendo instalada com auxílio da Universidade de São Paulo (USP). Já o Mato Grosso tem uma estação móvel, que tem coletado os índices de material particulado e monóxido de carbono em diversas cidades. Após o encontro, o Sipam se propôs a servir como um banco de dados onde toda a informação sobre qualidade do ar ficaria disponível à população.
(*) Com informações do Rondônia Dinâmica.
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