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Brasília/DF, 09 de setembro de 2010 
 
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Marina: planeta precisa de uma nova civilização

Marina: planeta precisa de uma nova civilização14/10/2009

Preservar a Amazônia é começar uma nova civilização na Terra

Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

Kaxiana (*)

 

Depois de receber o Prêmio Mudanças Climáticas, em Mônaco, das mãos do príncipe Albert II de Mônaco, em 10/10, por seu trabalho em defesa da biodiversidade, a senadora Marina Silva (PV-AC) destacou a importância de serem redobrados todos os esforços para deter a perda de biodiversidade e a deterioração dos ecossistemas e dos serviços ecológicos que sustentam a vida no planeta. Segundo ressaltou a senadora, sem essa premissa será impossível enfrentar o desafio das mudanças climáticas.

Na entrega do prêmio, Marina Silva conclamou todos os presentes a serem militantes de uma nova civilização, que precisa emergir da grave crise ambiental que o planeta vive. “O que está em jogo é maior do que qualquer interesse circunstancial: é a nossa própria existência como sociedade humana na Terra e de todas as espécies vivas que temos o sagrado dever de preservar. A hora da responsabilidade chegou”, destacou a ex-ministra do Meio Ambiente.

Veja, a seguir, a íntegra do discurso que a senadora Marina Silva fez na solenidade de entrega do prêmio que lhe foi oferecido pela Fundação Príncipe Albert II de Mônaco.

 

A fala da senadora Marina Silva

 

“Quero lhes dizer de minha grande alegria ao receber este prêmio. Para mim, é mais do que uma homenagem pessoal. Traz a força do incentivo e do apoio a todas as pessoas que se dedicam à proteção da biodiversidade, como a que acabamos de ver neste filme sobre os oceanos.

Agradeço, em primeiro lugar, a Sua Alteza Real, o Príncipe Albert II pela honra que me é concedida. Agradeço também ao Conselho de Administração da Fundação Príncipe Albert II por minha escolha. E ao embaixador Rubens Ricupero, pela generosa indicação de meu nome ao prêmio.

Entendo que todos nós aqui presentes fazemos parte de uma aliança. A aliança pela coragem de mudar o presente para que possamos ter um futuro, no qual cada ser humano tenha direito à paz, à dignidade e à qualidade de vida.

Vivemos um momento crucial, na tentativa de obter um acordo internacional capaz de nos colocar no caminho desse futuro. O mundo sabe qual é a sua lição de casa. Ela é objetiva e está dimensionada pela ciência. Temos que interromper a escalada do aquecimento global. Mas será que estamos fazendo nossa lição com a necessária aplicação e urgência? Infelizmente, ainda não.

Estamos devendo a nós mesmos e às próximas gerações. É preciso redobrar esforços para deter a perda de biodiversidade e a deterioração dos ecossistemas e dos serviços ecológicos que sustentam a vida no planeta. Sem essa premissa, será impossível enfrentar o desafio das mudanças climáticas.

É preciso que governos, empresas e cidadãos do mundo assumam uma postura de compromisso e cooperação, num movimento de uma tal energia e determinação que possa ficar na história da humanidade como um ponto de inflexão, um novo patamar civilizatório.

Há exemplos a serem seguidos. Um deles, entre os países desenvolvidos, é a Noruega. Ao mesmo tempo em que se compromete a reduzir em 40% suas emissões até 2020, também criou o maior programa de proteção das florestas tropicais, como forma de proteger a biodiversidade e reduzir as emissões de gases para a atmosfera.

O Brasil tem dado importante contribuição com sua matriz energética renovável, produção de bicombustíveis e avanços recentes na luta contra o desmatamento da Amazônia. Mas pode e precisa fazer mais. Precisa assumir metas globais de redução de suas emissões e contribuir para que os demais países em desenvolvimento façam o mesmo.

Apesar dos decepcionantes resultados das reuniões preparatórias para a Cúpula do Clima, em Copenhagem, não podemos perder a esperança. E para não perder a esperança, é preciso não perder tempo nem o foco.

Conclamo todos aqui presentes a serem militantes. Não militantes de uma única causa, por mais meritória que seja. Sejamos militantes da nova civilização que precisa emergir da grave crise ambiental que vivemos. O que está em jogo é maior do que qualquer interesse circunstancial: é a nossa própria existência como sociedade humana na Terra e de todas as espécies vivas que temos o sagrado dever de preservar. A hora da responsabilidade chegou”.




    


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