Aumento de 4º C proibe vida na Amazônia
02/10/2009
Queimadas e desmates da Amazônia levam ao aquecimento global, que já eleva a temperatura da região
Foto: Divulgação
Kaxiana
Se já corriam risco de não conheceram a Amazônia, os netos e bisnetos dos atuais habitantes da Amazônia brasileira simplesmente estarão ameaçados de sequer poderem habitar a região da última grande floresta tropical do planeta.
Essa fatalidade pode ocorrer caso se confirmem as previsões catastróficas divulgadas pelo Departamento de Metereologia da Inglaterra (Met Office) sobre a repercussão que o aquecimento global terá sobre a floresta amazônica até o ano de 2060.
Segundo o Met Office, um aquecimento global da ordem de quatro graus centígrados (4ºC) deve ter consequências dramáticas para a América Latina e pode subir as temperaturas na região amazônica entre 8ºC e 10ºC até o ano de 2060.
A elevação da temperatura a esses níveis provocaria em poucos anos a destruição de grande parte da maior floresta tropical do planeta. Caso se confirme em 2060, esse cenário catastrófico na Amazônia ocorrerá nada menos que quatro décadas antes da catástrofe prevista para ocorrer na região pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
Se a população do Acre, por exemplo, se sentiu “ardendo” há algumas semanas, quando a temperatura em Rio Branco, capital do estado, chegou a 48 graus centígrados, o que não sentirão os seus filhos e netos daqui a 50 anos, com a temperatura subindo mais 10 graus e chegando a 58 graus centígrados naquela região?
Essa é a indagação a ser feita agora, pois dificilmente os seres humanos, os animais e os vegetais resistirão muito tempo com vida a essas temperaturas. O que os cientistas prevêm é que, com temperaturas a estas alturas, a Amazônia certamente virará um imenso deserto em poucos anos.
Cenário pior do que os cenários mais extremos do IPCC
Conforme publicou o jornal O Estado de São Paulo, o pesquisador Richard Betts, do Hadley Center, a unidade do Met Office que estuda mudanças climáticas, disse à BBC Brasil que “nas nossas melhores estimativas, um aquecimento global de 4ºC aconteceria na década de 2070. Mas em uma situação extrema plausível isso poderia acontecer em 2060".
Segundo o Estadão, os novos modelos climáticos computadorizados do Hadley Centre foram divulgados durante uma conferência na Universidade de Oxford e simulam situações em que altas emissões de dióxido de carbono são amplificadas pelo efeito de retroalimentação (feedback) dos ciclos de carbono.
Este é o nome dado por cientistas aos ciclos de absorção e liberação de carbono por florestas e oceanos. As simulações apresentadas em Oxford indicam que a Amazônia é uma das regiões que mais vai sofrer com o aquecimento global.
No entanto, para o cientista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aquecimento global de 4ºC elevaria a temperatura na região amazônica em cerca de 5ºC. "Este tipo de acréscimo na temperatura já seria pior do que os cenários mais extremos do IPCC", disse Marengo à BBC Brasil.
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